16. abr, 2019

Princípios e critérios de conservação, reabilitação e restauro

Conceito eco||sistema para restauro

“Tal como as pessoas os edifícios sofrem acções de degradação ao longo do tempo, sobretudo por acção de agentes patológicos, como os cloretos, o carbono etc..

Estas patologias frequentemente evoluem de forma progressiva, afectando a operacionalidade e em limite, a estabilidade do edifício.

A elaboração destes relatórios visa dotar o dono de obra de um diagnóstico actual do estado de conservação do edifício. Permite essencialmente identificar, tipificar e caracterizar as diferentes patologias do edifício, apontando soluções e/ou procedimentos a adoptar.” (2)

“Antes de se iniciar uma qualquer intervenção deve-se sempre avaliar o edifício, de modo a conhecerem-se as condições de conservação e segurança, e as patologias a eles inerentes bem como as causas que as provocam. Posteriormente deve proceder-se à pesquisa e análise de soluções tecnológicas que se podem aplicar, recorrendo, sempre que possível, a materiais e técnicas tradicionais e, em alguns casos, inovadoras.

O património cultural edificado vai sofrendo alterações ao longo dos anos, que são provocadas pelas forças da Natureza e pelo Homem. Preservar um edifício ou monumento é uma luta contra a Natureza e as suas forças que causam degradação física dos elementos. A preservação tem de ser um processo contínuo. Os edifícios antigos que chegaram aos dias de hoje, preservando a sua autenticidade são aqueles que tiveram uma manutenção periódica limitada ao que era necessário, executada com materiais e técnicas tradicionais originais ou compatíveis. A degradação dos edifícios antigos é, essencialmente, devido aos agentes climáticos, ao tipo de uso e à ausência de manutenção. Estes edifícios foram normalmente construídos com os materiais disponíveis na região onde foram construídos e encontram-se, nomeadamente, nos centros históricos de vilas e cidades, sendo importantes para a definição da sua identidade, especialmente dos centros urbanos tradicionais, enriquecendo o seu património cultural, e só, recentemente, têm sido reabilitados e conservados, ao contrário do que é feito com os edifícios especiais e monumentos, que são simultaneamente construções e bens culturais, cuja reabilitação e manutenção já se vem efectuando há muitos anos. A intervenção nestes edifícios é essencial para o sucesso da reabilitação urbana. Entende-se por edifício antigo, uma construção construída antes do aparecimento do betão, utilizando técnicas e materiais tradicionais.

A principal preocupação da conservação e da reabilitação é manter o aspecto e a qualidade original inalterada, sempre que possível recorrendo à utilização de materiais e tecnologias originais, de modo a manter a identidade do edifício e transmiti-la às gerações futuras, assegurando a continuidade do passado. Um edifício é tanto mais autêntico, quanto menor forem as substituições ou alterações de que o mesmo foi alvo.

A longevidade das construções só pode ser garantida se tiver preocupações a nível da conservação e reabilitação.

 

(2)   http://joseromanoarquitectos.com.pt/servicos/relatorio%20de%20patologias.htm

 

Uma dificuldade frequente na conservação e reabilitação de edifícios é a utilização de materiais e técnicas originais, isto porque os materiais utilizados podem já não se encontrar no mercado e, caso se encontrem, é difícil encontrar quem domine a sua aplicação prática. Por isso, muitas vezes recorre-se erradamente a materiais e técnicas modernas, uma grande parte delas incompatíveis com os edifícios antigos, perdendo assim o seu valor inerente. Materiais tais como cal, areia, pedra, barro, madeira e ferro com que muitas obras de arquitectura antiga e edifícios antigos foram construídos são também de boa qualidade, encontrando-se, hoje em dia, várias edificações que os utilizaram em excelente estado de conservação. Deve-se então recorrer aos materiais antigos (originais) e técnicas tradicionais, caso seja possível, em princípio compatíveis com os dos edifícios antigos, mas quando estes se revelam ineficazes devem-se utilizar técnicas e materiais contemporâneos. Usar materiais e técnicas tradicionais não é suficiente para garantir a qualidade de uma intervenção, porque os materiais novos, iguais aos utilizados antigamente foram produzidos recentemente, o que vai fazer com que haja algumas diferenças de comportamento em relação aos materiais que se encontram desde há muitos anos nos edifícios antigos. O estudo das técnicas tradicionais de construção de edifícios antigos contribui para a conservação dos mesmos.

Cada edifício é constituído por um conjunto diverso de materiais e estruturas, com variados posicionamentos e funções, formando um edifício com características únicas, resultado de uma determinada época, reflexo de tradições e de um certo estilo, das possibilidades e do desenvolvimento técnicoƒsocial, de uma mera necessidade prática, estando ligados às técnicas e aos materiais usados antigamente. O processo de degradação é único em cada edifício, mesmo que os materiais sejam semelhantes de edifício para edifício; raros são os casos em que se poderá transpor inteiramente a experiência obtida num edifício para o projecto de conservação de um outro, sendo necessário o estudo de cada situação particular.

No que diz respeito à análise e estudo de edifícios antigos e de soluções tradicionais, existem dois tipos distintos. O primeiro tipo consiste em efectuar estudos científicos baseados essencialmente em documentos históricos, transpondo o que for possível da experiência já obtida aplicada em casos concretos. O segundo tipo consiste em realizar estudos tecnológicos em laboratório e sobre protótipos.

O património arquitectónico é um bem valioso quer do ponto de vista económico, quer cultural. O turismo e o lazer são cada vez mais importantes na sociedade. A existência de monumentos emblemáticos é a principal atracção a determinados locais, gerando recursos financeiros, directa ou indirectamente. O património permite uma correcta percepção do passado, sendo uma herança transposta para os dias de hoje. Devem ser tomadas medidas para assegurar a correcta transmissão dos valores culturais herdados, para as gerações futuras.” (3)

O processo de levantamento de anomalias do mosteiro refere-se ao registo das origens, sintomas e natureza dos problemas por eles apresentados, no seu estado actual.

 

(3)   http://repositorio.utad.pt/bitstream/10348/282/1/msc_jppguimaraes.pdf

 

As anomalias detectadas são assinaladas esquematicamente sobre peças desenhadas - plantas, alçados e cortes - que sejam necessárias para evidenciar a sua importância e disposição no edifício.

O processo de levantamento das anomalias reporta-se a todos os elementos primários da construção ou estrutura, nomeadamente:

  • Paredes.
  • Pavimentos.
    • Cobertura.
  • Escadas.
  • Fundações.
    • Outros elementos da construção.

 

Sempre que possível, serão utilizados termos que definam correctamente as anomalias detectadas, como por exemplo:

  • Fissuração localizada com orientação preferencial.
  • Fissuração generalizada sem orientação preferencial.
    • Assentamentos diferenciais da construção.
    • Deformações de paredes ou pavimentos.
    • Manchas de humidade.
    • Desagregação ou destacamento dos materiais de revestimento.
    • Eflorescências ou criptoflorescências.
    • Presença de bolores ou fungos.
    • Presença de podridão ou insectos xilófagos nos elementos de madeira.
      • Outros.

 

Nalguns dos casos onde forem detectadas fissuras, poder−se−á medir a sua abertura através de uma régua de fissuras e registá−la para posterior comparação, caso venha a ser necessário.

Todos os sintomas detectados serão assinalados em plantas, alçados e cortes, a uma escala apropriada, devendo-se ter em conta as seguintes características da representação do levantamento:

Deformações excessivas de pavimentos, escadas e coberturas, com indicação das cotas altimétricas das deformadas, em relação à cota de soleira do edifício. Poder−se−á adoptar a representação das deformações através de curvas de nível.

  • Empenos de paredes resistentes. A representação poderá ser feita através de curvas de igual profundidade.
  • Fissuração das paredes de alvenaria e de outros elementos estruturais, definida pela disposição das fissuras e pela respectiva abertura, de forma a evidenciar a sua importância.
  • Presença de manchas de humidade, com indicação da sua extensão e respectiva indicação qualitativa da humidade superficial.
  • Apodrecimento de elementos estruturais de madeira - soalho e vigamento - incluindo indicação da sua extensão e profundidade.
  • Degradação dos elementos de madeira pela acção de agentes biológicos - fungos e insectos xilófagos − incluindo indicação da sua extensão e profundidade.
    • Presença de zonas com deterioração dos revestimentos, com indicação da sua extensão.
    • Presença de lacunas nos revestimentos, com indicação da sua extensão;
      • Corrosão de elementos estruturais metálicos. (estrutura do coreto)

 

 

É realizado um levantamento fotográfico dos elementos de pormenor mais representativos do estado de conservação do mosteiro.

Ao registo dos sintomas detectados é dado tratamento informático, em suporte CAD, permitindo assim a sua mais fácil manipulação posterior.

 

Bibliografía

 

A.A.V.V. Tratado de rehabilitación: patología y técnicas de intervención (elementos estructurales), Tomo III, Madrid, editorial Munilla‐Lería, 1998

 

A.A.V.V. Tratado de rehabilitación: patología y técnicas de intervención (Fachadas y cubiertas), Tomo IV, Madrid, editorial Munilla‐Lería, 1998

 

CÓIAS, Vítor Reabilitação Estrutural de Edifícios Antigos, edição Argumentum/GeCoRPA, Julho de 2007